O passado, o presente e o futuro do Marketing Multinível brasileiro tem as digitais de Sergio Buaiz.

Escritor, palestrante, consultor de empresas e atual Diamond na dōTERRA, ele viveu intensamente as últimas três décadas do nosso mercado.

Desenvolveu sua primeira empresa aos 17 anos, lançou o primeiro jornal do setor em 1996, iniciou a Comunidade Chance Network em 2003 e contribuiu para a formação de milhares de lideranças, por meio dos seus livros e treinamentos.

Há cerca de dez anos, na época de maior explosão das pirâmides financeiras no Brasil, foi a voz mais combatente do país contra os esquemas ilícitos, o que o levou a discursar no Congresso Nacional em defesa do Marketing Multinível legítimo.

Nessa entrevista exclusiva ao upline.news, Sergio Buaiz revela suas realizações e decepções com o mercado e por que decidiu relançar o seu best-seller Multiplicando Bem-Estar, que é considerado um clássico do setor.

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“Vivemos um clima muito parecido com o de 2005, quando o livro foi lançado. Havia ali um equilíbrio das empresas entre o foco em vendas e construção do negócio, com produtos e serviços para promover o bem-estar. Estamos voltando a viver um grande momento”, analisa Buaiz.

Confira a entrevista completa:

upline.news: Como começou a sua história no nosso mercado?

Sérgio Buaiz: Eu tinha 17 anos. Estava na casa da minha tia e ouvi meu cunhado falando com minha mãe sobre a oportunidade. 

Como eu era muito jovem e queria ganhar dinheiro, entrei na conversa e pedi pra saber mais.

Dei muita sorte, pois caí num evento com mais de 1.000 pessoas e a participação especial de um Diamante americano, às vésperas da primeira convenção da Amway/Pro Net no Brasil. Fiquei fascinado.

E o que aconteceu em seguida?

Mergulhei de cabeça, fui distribuidor por seis meses e, naquela mesma época, entrei pra faculdade de Publicidade na UFRJ. 

Comentei com os meus professores e eles falaram que era picaretagem. Vi que tinha um preconceito e fui pesquisar.

Foi quando comecei a entender as polêmicas envolvidas e que o Brasil não tinha acesso ao conhecimento especializado sobre o assunto.

Foi aí que nasceu o jornal Estágio 10?

Entre 1994 e 1995, comecei a escrever meu primeiro livro, mas o surgimento de várias empresas me fez perceber que havia um grande mercado se formando. 

Isso me levou a lançar o jornal Estágio 10 em 1996, com o objetivo de falar sobre as oportunidades que surgiam, treinamentos e também alertas sobre as práticas perigosas que nos causavam riscos.

Comecei a distribuir em alguns eventos e era comum ser expulso destes lugares, porque tocava em assuntos que os líderes não queriam falar.

Foi muito legal, porque começou um movimento de entender mais o que estava acontecendo e, em seis meses, eu já tinha contato com os executivos das principais empresas.

Sérgio Buaiz palestrando no Congresso Nacional em defesa do Multinível legítimo

Você viu o Marketing Multinível surgir no Brasil. Como era a realidade das empresas naquela época? 

Quando chegou ao Brasil, o Multinível foi implantado por empresas internacionais bilionárias e líderes que promoviam uma grande visão de empreendedorismo, que não era comum por aqui.

Não existiam outros negócios em que pessoas comuns pudessem iniciar com baixo investimento e obter alavancagem sem limites.

Na época, a maioria das pessoas ficou desconfiada, mas o sistema de treinamento focado em desenvolver líderes empoderava, ampliava a visão, mudava paradigmas. Era uma escola de negócios diferente de tudo o que a gente conhecia.

Hoje está mais difícil começar a desenvolver o negócio e ter um crescimento alavancado? 

Claro que a dinâmica mudou, as relações mudaram completamente e a forma como as pessoas se educam também. 

O maior desafio hoje é manter as pessoas no foco, pois tem muita oferta não só de oportunidades, mas de passatempos como redes sociais, Netflix e tudo mais.

Hoje, o que está mais difícil é o líder se dispor a lapidar outras pessoas de verdade. Mas quando esse líder resolve concentrar energia nisso, ele tem o poder de inspirar, se tornar magnético e transformar muitas vidas.

Uma das capas do Jornal Estágio 10, o primeiro veículo dedicado ao Multinível brasileiro, lançado por Buaiz

Quais foram as suas principais realizações no Marketing Multinível?

Participei de vários projetos interessantes como treinador e líder. Como realização, tem os livros que ficam como legado de material que vai ser usado sempre. 

De forma prática, foi importante minha presença na ABEVD (Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas) durante um período, em que o Marketing Multinível era desconhecido ou mal visto. 

No período da guerra das pirâmides, entre 2013 e 2014, ajudei o mercado a entender melhor essa diferença, embora tenha sido uma voz abafada por aquele movimento.

Minha realização maior é na parte educacional, na profissionalização do setor.

Ajudei a formar muitos líderes, donos e executivos de empresas, além das vidas impactadas direta e indiretamente por meio dos livros e treinamentos.

A minha decepção nunca foi com o Marketing Multinível, mas sim com a sociedade brasileira. Quando fui lá no governo e fiz palestra no Congresso em defesa do nosso mercado, percebi o quanto estava tudo contaminado por outros interesses. 

Sérgio Buaiz

E quais as maiores decepções ao longo dessa jornada?

A minha grande decepção foi naquele período de 2013 e 2014 das pirâmides financeiras, por perceber como as pessoas são oportunistas. 

Foi um choque de realidade ver que a crise de valores no país era maior do que eu imaginava. 

A minha decepção nunca foi com o Marketing Multinível, mas sim com a sociedade brasileira. 

Quando fui lá no governo e fiz palestra no Congresso em defesa do nosso mercado, percebi o quanto estava tudo contaminado por outros interesses. 

Foi frustrante, pois senti que não tinha o poder de proteger o mercado. Algumas pessoas com quem eu achava que poderia contar lavaram as mãos.

O lado positivo é que o mercado se autorregula. As pirâmides que surgiram a partir daí nunca tiveram a mesma força. 

Hoje estou muito mais otimista. É como se tivéssemos passado por uma pandemia de pirâmides e agora estamos vacinados.

O Multiplicando Bem-Estar é uma excelente primeira leitura para quem está chegando ao mercado, porque mostra a forma correta de desenvolver o negócio.

Sérgio Buaiz

Como surgiu o livro Multiplicando Bem-Estar?

Esse livro é muito especial porque foi escrito em 2005, o período em que eu estava inspirado pelo nascimento da minha filha e atuava com muita paixão. 

O mercado estava no auge. A indústria do bem-estar crescia a olhos vistos.

Herbalife e Forever Living eram as empresas de maior destaque, promovendo suplementos e produtos naturais para a saúde. Várias empresas de cosméticos e perfumes também cresciam em grande velocidade.

Era um momento em que todo mundo olhava para Marketing Multinível como algo voltado ao bem-estar, entendendo que desenvolver esta atividade nos permitia alcançar altos rendimentos com mais qualidade de vida. 

As empresas estavam muito bem, com foco de construção de negócio e também de vendas. Era um período de maior integridade do nosso modelo de negócio. 

E o livro Multiplicando Bem-Estar reflete essa visão. É muito inspirador. É uma excelente primeira leitura para quem está chegando ao mercado, porque mostra a forma correta de desenvolver o negócio.

Foram mais de 10.000 cópias vendidas na época, somente online e em eventos.

Livro Multiplicando Bem-Estar, best-seller que acaba de ser relançado

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Por que você decidiu relançar essa obra?

Resolvi voltar com este livro porque é minha grande obra. Aquela que mais inspira e que melhor representa a minha visão sobre esse mercado. 

Se eu quiser ensinar alguém sobre Marketing Multinível ou Marketing de Relacionamento (como prefiro chamar), darei esse livro de presente.

Vai abrir a cabeça e inspirar a pessoa a fazer o que precisa ser feito, sem fantasias.

Aprendi muito durante todo esse período crítico que vivemos com o oportunismo de quem só pensava em ganhar dinheiro a qualquer custo.

Para ter sucesso neste negócio, não adianta distribuir qualquer produto ou serviço de má qualidade. É preciso distribuir soluções que melhorem a vida das pessoas.

A alavancagem somente se sustenta no longo prazo se estiver multiplicando bem-estar.

É como se estivéssemos em um período de calmaria para crescer de novo. Vejo as empresas sérias voltando a produzir ótimos resultados. 

Sérgio Buaiz

Como você enxerga o momento atual do mercado?

O mercado amadureceu muito. Boa parte dos profissionais já consegue distinguir com muita facilidade o discurso de fantasia e o da realidade.

O verdadeiro Multinível pode sim proporcionar um estilo de vida maravilhoso, mas exige preparo profissional e dedicação consistente por alguns anos. Por isso, os oportunistas têm migrado para outros mercados, como o de criptomoedas. 

É como se estivéssemos em um período de calmaria para crescer de novo. Vejo as empresas sérias voltando a produzir ótimos resultados. 

Temos umas 10, 15 oportunidades muito boas e que têm sustentação. É algo muito parecido com aquele período de 2005, porque o foco está em multiplicar bem-estar. 

Está mais fácil falar de empreendedorismo e promover Marketing de Relacionamento de verdade, sem a euforia cega que é muito perigosa.

E como você enxerga o seu momento atual, depois de tantos anos dedicados ao Marketing Multinível?

Depois daquele período das pirâmides fiquei muito machucado. 

Me afastei, cheguei a fazer alguns trabalhos, mas eu não estava bem. Não atuava com o mesmo amor e a mesma crença positiva que sempre tive. Isso me incomodou por oito anos.

Mas hoje, vendo o mercado amadurecido, estou muito feliz. 

Esse relançamento do livro é muito simbólico no sentido de amar e defender este mercado, de apoiar os bons profissionais. 

Depois de encerrada sua jornada no nosso planeta, como você quer ser lembrado? Qual o legado você quer deixar?

Quero sentir que deixei uma obra inspiradora e que leve as pessoas a terem bons valores. 

O Marketing Multinível é muito gratificante. Me sinto no momento de devolver ao mercado tudo o que ele me proporcionou. 

Desde 2014, quando me afastei, me sentia mal por não estar cumprindo esse papel. É como se eu tivesse abandonado o mercado que eu amo. 

Durante muitos anos, coloquei minha alma nessa indústria. Depois fiquei amargurado e me afastei. Isso é muito ruim. 

Em 2021, descobri que eu precisava recuperar meu entusiasmo fazendo o que amo, que é trabalhar com educação, desenvolver líderes de Multinível, inspirar as pessoas e ajudá-las a prosperarem através desse mercado.

É nisso que eu acredito e pelo que eu quero ser lembrado.

Fábio Guedes é jornalista e atua desde 2017 na Venda Direta e Marketing Multinível, construindo estratégias de conteúdo e comunicação institucional para grandes empresas e lideranças do mercado. Atualmente, presta consultoria de Comunicação e Marketing para empresas de Venda Direta, MMN e Franchising e é editor-chefe do portal upline.news

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